A Warner Bros. Discovery (WBD) anunciou que irá retomar as negociações com a Paramount Skydance, após receber uma isenção de sete dias da Netflix. Essa decisão permite que a WBD explore as “deficiências” na proposta da Paramount para adquirir a totalidade da empresa. A Paramount havia feito uma oferta hostil de US$ 30 por ação aos acionistas da WBD, depois de perder uma disputa de licitação para a Netflix.
Em um comunicado, a WBD informou que recebeu uma isenção limitada da Netflix, permitindo que a empresa engage em discussões com a Paramount para um período que termina em 23 de fevereiro de 2026. A intenção é buscar clareza para os acionistas da WBD e dar à Paramount a oportunidade de apresentar sua melhor e última oferta.
Desde o início das negociações, a liderança da Paramount afirmou que sua oferta de US$ 30 por ação não era a “melhor e final”. Recentemente, a Paramount tentou melhorar sua proposta com “melhorias”, mas não elevou o valor por ação. Um representante da Paramount informou ao conselho da WBD que estaria disposto a pagar US$ 31 por ação, caso as negociações fossem reabertas.
David Zaslav, CEO da WBD, enfatizou que o foco da empresa sempre foi maximizar o valor para os acionistas. Ele destacou que a WBD tem fornecido à Paramount direções claras sobre as deficiências de suas ofertas e oportunidades para corrigi-las. A WBD está agora em busca de uma proposta vinculativa que ofereça um valor e segurança superiores aos seus acionistas.
O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, comentou que a isenção foi concedida para trazer clareza aos acionistas, que foram inundados com informações confusas pela Paramount. Sarandos se absteve de comentar sobre os direitos de emparelhamento da Netflix, que atualmente tem uma oferta de US$ 27,75 por ação para os ativos de streaming e estúdio da WBD, afirmando que prefere esperar para ver as próximas movimentações da Paramount.
A Paramount, por sua vez, reconheceu a situação e declarou que ainda acredita que sua oferta é superior à proposta da Netflix. A empresa também anunciou que continuará com sua oferta hostil e pretende nomear diretores para o conselho da WBD durante a reunião anual.
Além disso, a WBD agendou uma reunião especial de acionistas para o dia 20 de março, e seu conselho continua a recomendar unanimemente o negócio com a Netflix em detrimento da proposta da Paramount. A Netflix considerou essa data como um “marco importante” para sua transação com a WBD.
As ações da WBD subiram quase 3% após o anúncio, enquanto as da Paramount aumentaram cerca de 5%. No entanto, ambas as ofertas levantam questões regulatórias. Insiders da indústria de mídia e legisladores têm questionado se o acordo da Netflix receberia aprovação, dado que uniria dois dos principais serviços de streaming, potencialmente resultando em preços mais altos para os consumidores.
A liderança da Netflix acredita que o acordo seria aprovado porque preservaria empregos em um cenário desafiador para a mídia, repleto de demissões. Em contrapartida, a Paramount argumenta que sua oferta não apenas é melhor, mas também teria maior chance de apoio governamental, apesar das preocupações relacionadas ao financiamento externo e às considerações antitruste.
A oferta da Paramount é parcialmente financiada por fundos soberanos da Arábia Saudita, Abu Dhabi e Catar, que concordaram em abrir mão de qualquer direito de governança. A Netflix, em seu comunicado, ressaltou que espera que esse financiamento seja alvo de escrutínio por reguladores internacionais, incluindo o Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS).
À medida que as negociações se desenrolam, a atenção se volta não apenas para a viabilidade das ofertas, mas também para o impacto que elas terão na indústria de entretenimento e nos acionistas envolvidos. O desfecho desta disputa promete ser um marco significativo para o futuro da WBD e suas operações.
