A chuva que voltou a cair em Campo Grande neste domingo (14) forçou o cancelamento da caminhada “Todos por Elas”, evento que tinha como objetivo alertar sobre o fim da violência contra a mulher. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado de precipitação na capital foi de 13 mm neste domingo, somando-se aos 32,2 mm registrados no sábado (13).
Apesar do cancelamento da caminhada, autoridades presentes discursaram para o público que se concentrou em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros, no Parque dos Poderes. A primeira-dama Monica Riedel, a coordenadora da Casa da Mulher Brasileira Carla Stephanini e as desembargadoras Sandra Artioli e Jaceguara Dantas falaram sobre o tema debaixo de um palco montado no local. Os participantes chegaram a fazer um aquecimento, mas o tempo impediu a saída às ruas.
No ano passado, a mesma caminhada reuniu cerca de 1,2 mil pessoas. Neste ano, mesmo com o início atrasado em uma hora, a concentração contou com aproximadamente 60 participantes. A organização informou que já esperava uma participação menor devido ao nevoeiro, às temperaturas mais baixas e à previsão de continuidade das chuvas.
Em seus discursos, as autoridades reforçaram a importância do combate à violência contra a mulher. Monica Riedel afirmou que a violência “é uma coisa inadmissível” e que, como ela existe, é preciso encontrar maneiras de combatê-la, sendo a sensibilização uma delas. Carla Stephanini lembrou que a ação reúne os poderes constituídos para demonstrar o engajamento na eliminação da violência doméstica e familiar, especialmente o feminicídio, que classificou como uma morte evitável.
Jaceguara Dantas, conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e idealizadora da caminhada, destacou o papel do Judiciário no enfrentamento desses crimes. Ela informou que, em 2025, 1.568 mulheres morreram vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes por dia. “O Judiciário tem um papel muito importante na responsabilização desses autores e de acelerar a tramitação das medidas protetivas de urgência, porque essas medidas salvam vidas”, disse.
A desembargadora Sandra Artioli afirmou que a caminhada reflete a união de forças contra a violência. “Nós temos números muito altos no Brasil e em Mato Grosso do Sul também. Por trás desses trágicos números, há uma dor dilacerante de uma família, de amigos e de todos nós da sociedade”, finalizou.
