Há 30 anos, Alcione Correia, de 61 anos, faz pamonha todos os dias em sua casa no bairro Marcos Roberto, em Campo Grande. O segredo está no fogão à lenha e na receita que herdou da família há 53 anos. Dos oito filhos, ela foi a única que seguiu com a tradição.
As pamonhas são vendidas a R$ 5. O sucesso é tanto que ela acaba com o estoque diariamente. Em um dia, já chegou a fazer 450 pacotinhos sozinha, nas versões grande e mini, que também são vendidas a R$ 3.
“Pamonha pra mim significa vida. Meu foco não é ganhar muito, é sobreviver”, disse Alcione. Ela conta que o pessoal vende a R$ 12, mas não tem o ano inteiro. “Eu tenho. Não preciso ganhar muito. Eu me emociono porque é uma herança que a gente tem”.
O sonho de Alcione é abrir uma Casa da Pamonha. “Vai chegar uma hora. Estou com 61 anos e são 30 mexendo com a pamonha, e é uma alegria imensa servir e a pessoa elogiar”.
Ela se orgulha de uma cliente que vem dos Estados Unidos e já fez encomenda. “Vai pamonha minha para Rio Brilhante, Clube do Laço, Ribas do Rio Pardo. É muito gratificante”.
Alcione já trabalhou cortando cana na roça, mas sempre volta para a pamonha. “Sempre trabalhei com trabalho braçal. Foi assim que criei dois filhos. Formei eles”.
Para ter pamonha fresca todos os dias, ela acorda às 4 horas. O trabalho só acaba por volta das 15h. O processo inclui cortar o milho, descascar, tirar a palha, ralar o milho e fazer a receita de família, que ela não revela.
Ela faz os copinhos com a própria palha. “Acho mais original e tradicional. Faço até umas 20 ou 40 por remessa. Uma bacia cheia dá, em média, 100 pamonhas”.
Alcione não gosta de congelar pamonha. “Por isso faço todo dia. Mas tenho cliente que compra 50 e congela para comer até acabar”.
Ela cozinha as pamonhas no fogão à lenha. “Pessoal fala que é bem caipira, bem tradicional. Vem gente de longe comprar. Adoro usar fogão à lenha porque faço mais rápido. O gosto fica diferente”.
Ela morou no Aero Rancho, Piratininga e Bela Vista antes de vir para Campo Grande, depois de ficar viúva em 2008. Até quatro anos atrás, usava ralo manual para fazer a massa. “Antes de ter a máquina de ralar milho, eu fazia na mão”.
Alcione vende as pamonhas na casa dela, na Rua Bom Sucesso, 154, no bairro Marcos Roberto. O horário é de segunda a sexta, das 10h até acabar as remessas, geralmente às 15h.
