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8 em cada 10 empresas enfrentam falta de mão de obra

Oito em cada dez empresas no Brasil enfrentam dificuldades para contratar profissionais, segundo pesquisa da consultoria ManpowerGroup com 1.020 companhias. O problema, que se repete há cinco anos, afeta setores como comércio, tecnologia, saúde e infraestrutura.

Com 385 posições em regime híbrido ou remoto, a Solo Network, empresa paranaense de cibersegurança e inteligência artificial, não consegue preencher seu quadro. Atualmente, busca profissionais para 21 vagas, com salários entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Contratações na área de cibersegurança levam 45 dias, mas vagas comerciais demoram de dois a três meses.

A taxa de desemprego está em mínimas históricas, o que agrava a disputa por talentos. A consultoria Robert Half aponta que a desocupação entre profissionais de nível superior foi de 3,3% no primeiro trimestre do ano, quase metade da taxa geral de 6,1%. Líderes empresariais consideram o problema crônico, que eleva custos operacionais e limita o crescimento.

“Os qualificados já estão empregados. Estamos em amplo crescimento, e isso afeta nossa operação”, afirma Zenilda Zanardini, diretora administrativa da Solo Network. “Se tivéssemos mais vendedores, teríamos mais entrada no mercado.”

A rede mineira de supermercados Verdemar, com 17 lojas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem 500 vagas abertas, quase 10% de seu quadro total de 5,5 mil funcionários. Faltam operadores de caixa, atendentes de padaria, estoquistas, reposições e embaladores. “Não tem gente para trabalhar em BH. O varejo não é atraente para muita gente”, diz Alexandre Poni, sócio e diretor comercial da rede.

Para tentar atrair trabalhadores, a Verdemar implementou em oito lojas um acordo sindical com ciclos de três dias de jornada de 12 horas seguidos de duas folgas, totalizando 15 dias trabalhados por mês. O esquema exige de 15% a 20% mais funcionários por loja, o que elevou os custos.

A Livraria Leitura, com 136 lojas no país, também enfrenta dificuldades para preencher vagas de entrada, como atendente e assistente de loja. A empresa passou a flexibilizar perfis e contratar pessoas mais velhas. “Era comum ter 15 candidatos por vaga. Hoje, temos a metade”, conta André Teles, sócio da rede.

No setor de petróleo, a escassez é ainda mais crítica. A Abespetro identificou 40 mil vagas abertas em 2024 entre 35 empresas fornecedoras. Em toda a cadeia, estima-se 64 mil postos ociosos. Faltam profissionais técnicos em soldagem, química e instrumentação, além de engenheiros e cientistas da computação.

Para Karen Cubas, gerente da Universidade do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (UNIBP), a escassez tem relação com a demografia. Profissionais mais velhos estão se aposentando em um momento de expansão de projetos offshore, superando a capacidade de reposição.

O Brasil é o quarto entre 42 países com maior intenção de contratação entre julho e setembro, segundo outra pesquisa da ManpowerGroup. Dos 1.080 empregadores entrevistados, 52% pretendem ampliar suas equipes. O fenômeno é mais intenso em grandes centros e setores que demandam mão de obra intensiva.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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