O 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros Militar da região sul de Campo Grande foi acionado três vezes apenas na manhã desta segunda-feira (20) para combater incêndios em vegetação. As ocorrências aconteceram em diferentes bairros da cidade e acenderam um alerta para o aumento das queimadas durante o período de estiagem. Há 8 dias não chove na Capital.
Uma das ocorrências foi registrada na Chácara Cachoeira, em uma área de vegetação localizada na quadra formada pelas ruas Travessia Guruá, São Vicente de Paulo, Anajás e Elvira Coelho Machado. Conforme apurado pela reportagem no local, uma mulher, que não foi identificada, teria ateado fogo na vegetação.
As chamas atingiram um coqueiro da espécie bocaiúva e subiram para os postes, danificando o cabo de internet. Não foi possível identificar a operadora responsável pela rede. Os bombeiros foram acionados por volta das 11h30. Quando a equipe chegou, o fogo já havia sido controlado, mas os militares realizaram o rescaldo para eliminar focos remanescentes e evitar que o incêndio recomeçasse.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o período de seca exige atenção redobrada da população. Com a vegetação ressecada e a baixa umidade do ar, qualquer foco de calor pode provocar incêndios de grandes proporções. A orientação é não utilizar fogo para limpeza de terrenos ou descarte de resíduos, além de comunicar imediatamente às autoridades ao identificar princípios de incêndio.
Outra ocorrência foi registrada em um terreno na Rua Jamil Basmage, ao lado da Ocupação Carandiru, no bairro Mata do Jacinto. De acordo com moradores, a fumaça tomou conta da região e duas viaturas do Corpo de Bombeiros atuaram no combate às chamas.
Mesmo após a saída das equipes, a reportagem encontrou pequenos focos de incêndio ainda ativos no terreno. Um morador, que preferiu não se identificar, demonstrou preocupação com a possibilidade de o fogo voltar a se espalhar. “É perigoso porque, se volta com força, esse incêndio fica duas vezes pior. Aqui tem muita criança e essa fumaça faz mal para elas e para todo mundo. Ela vai direto para os apartamentos”, relatou.
O terreno é de grandes proporções e havia indícios de que materiais inflamáveis, possivelmente estofados de móveis velhos descartados no local, também foram atingidos pelas chamas, o que pode explicar a fumaça escura observada durante o incêndio.
As queimadas ocorrem enquanto Campo Grande e outros municípios de Mato Grosso do Sul permanecem sob alerta de perigo devido à baixa umidade do ar, conforme o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O ar seco favorece a propagação das chamas e intensifica os impactos da fumaça sobre a saúde da população. A origem do incêndio na Rua Jamil Basmage não foi informada.
A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e ventos aumenta o risco de novos focos em áreas de vegetação. As autoridades orientam que moradores não utilizem fogo em terrenos, pastagens ou às margens de rodovias. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias exigem atenção especial durante períodos de fumaça intensa.
Colocar fogo em terrenos baldios e pastagens é crime ambiental, conforme prevê a Lei Federal nº 9.605/1998. A pena pode chegar a quatro anos de prisão, além de multa. O responsável também está sujeito a sanções administrativas.
Em Campo Grande, a Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) prevê multa de até R$ 11.590,37 para quem realizar queima de resíduos a céu aberto. Já incêndios provocados em terrenos baldios ou quintais podem gerar multas de até R$ 6.781, conforme balanço divulgado neste mês pela prefeitura.
