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Campo Grande obriga notificação de hepatite B e C

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande tornou obrigatória a notificação de casos de hepatite B e hepatite C por unidades públicas e privadas de saúde da cidade. A medida foi publicada nesta segunda-feira (18) no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) e tem como objetivo reforçar o controle epidemiológico e atualizar os sistemas de monitoramento das doenças.

De acordo com a resolução, todos os serviços públicos e privados que realizarem atendimento e acompanhamento de pacientes com hepatite B ou C deverão fazer a notificação compulsória dos casos, seguindo as normas do Ministério da Saúde. A regra vale para hospitais, clínicas, consultórios e demais serviços de saúde.

Para pacientes atendidos na rede particular, o procedimento também passa a valer. Nesses casos, o paciente deverá apresentar uma cópia da ficha de notificação no momento da primeira retirada do medicamento no Centro Especializado de Doenças Infecto Parasitárias (Cedip) ou no Hospital Dia Professora Esterina Corsini, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

A resolução determina que a cópia da ficha ficará retida na Unidade Dispensadora de Medicamentos (UDM), que será responsável por encaminhar o documento posteriormente à Gerência de Vigilância Epidemiológica da Sesau. O texto também prevê que a ausência da ficha de notificação no primeiro atendimento não poderá impedir o paciente de receber tratamento ou retirar a medicação. O serviço de saúde responsável deverá ser orientado a regularizar a notificação posteriormente.

Segundo a Sesau, a medida busca fortalecer e qualificar as informações registradas nos sistemas usados para controle logístico de medicamentos para hepatites virais e no Sistema Nacional de Notificação de Agravos (Sinan). A resolução reforça que cabe aos serviços de saúde e às unidades dispensadoras alertarem os profissionais sobre a obrigatoriedade da notificação, conforme os fluxos definidos pelo Ministério da Saúde e pela Vigilância Epidemiológica.

As hepatites virais B e C são responsáveis por 95% das mortes relacionadas à hepatite no mundo. Em 2024, causaram 1,34 milhão de óbitos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A transmissão continua, com mais de 4,9 mil novas infecções por dia, ou 1,8 milhão por ano.

Em 2024, Campo Grande apareceu acima da média nacional tanto nos casos de hepatite B quanto nos de hepatite C, conforme o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde. Na hepatite B, a taxa nacional foi de 5,3 casos por 100 mil habitantes, e a capital ficou acima desse índice, entre as capitais com maior taxa de detecção da doença no país. Na hepatite C, Campo Grande registrou taxa de 12,4 casos por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional foi de 9,1 casos por 100 mil habitantes. A capital aparece entre as 12 capitais brasileiras com índices superiores à média do país.

As hepatites virais podem ser transmitidas por contato com sangue, relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos cortantes, materiais não esterilizados ou consumo de água e alimentos contaminados, a depender do tipo da doença. A vacina contra a hepatite B é indicada para pessoas de todas as idades e integra o calendário vacinal infantil do Sistema Único de Saúde (SUS). Para os bebês, o esquema vacinal é composto por quatro doses: a primeira deve ser administrada nas primeiras 12 horas de vida, e as demais aos 2, 4 e 6 meses de idade, por meio da vacina pentavalente. Para a hepatite A, a imunização é recomendada entre 12 meses e 5 anos de idade incompletos, em dose única. Para a hepatite C, ainda não há vacina disponível. Durante o pré-natal, a testagem para hepatites virais é fundamental para a prevenção da transmissão vertical.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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