O candidato a deputado estadual Valdeci Gonçalves da Cruz (PDT), conhecido como Café, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de quase R$ 2 bilhões. Policial militar reformado, ele disputa as eleições em Mato Grosso do Sul. Os valores dos bens listados chamam a atenção por serem muito superiores aos preços praticados no mercado.
A declaração está no Divulgacand, sistema do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). A candidatura dele ainda não foi regularizada e aguarda julgamento. A suspeita é de que tenha havido erro de digitação, o que teria elevado o valor total do patrimônio.
Na lista, um Volkswagen Tera 2026 foi registrado por R$ 129 milhões. A versão mais cara do SUV custa cerca de R$ 146 mil. Um Volkswagen Polo 2023/2024 também aparece com valor de R$ 80 milhões, enquanto a Tabela FIPE avalia o carro entre R$ 69 mil e R$ 124 mil.
O candidato ainda declarou um caminhão Mercedes-Benz de 1987 por R$ 110 milhões e duas chácaras em Campo Grande, uma avaliada em R$ 300 milhões e outra em R$ 1,2 bilhão. Com esses números, Café aparece como o candidato com maior patrimônio declarado no estado, 105 vezes mais do que Londres Machado (PP), que informou R$ 18,9 milhões. O valor também supera o declarado pelos presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com R$ 4,8 milhões, e Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 8,1 milhões.
Procurado por telefone, Café disse que só soube do problema após contato da reportagem. Ele afirmou que a documentação foi entregue ao partido e que apenas assinou a declaração. O candidato, que está na quinta campanha eleitoral, disse que é a primeira vez que isso acontece e que alguém deve ter acrescentado zeros a mais. Ele afirmou que tem um Polo de R$ 80 mil, não de R$ 80 milhões.
Café informou que vai procurar o partido e o advogado para entender o que ocorreu. Ele negou ser bilionário e disse que os bens que possui foram conquistados com trabalho. O PDT/MS foi procurado para comentar o caso, mas não respondeu até o fechamento da matéria.
