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Casal da Nhanhá usava codinomes em esquema de tráfico

Casal da Nhanhá usava codinomes em esquema de tráfico

Presos durante a operação Destroyer, deflagrada na quinta-feira (18) pela Polícia Civil de Goiás com apoio da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), Adryelle Franco Ramos, 32 anos, e Thiago Alves de Jesus, 34 anos, usavam codinomes para liderar um esquema de tráfico. A ação resultou na apreensão de um Porsche Macan no Jardim Nhanhá, em Campo Grande.

Os dois atuavam como “diretores de logística” de uma rede interestadual de transporte de drogas e mercadorias ilegais. Além dos codinomes para burlar a polícia, eles usavam documentos de terceiros, rotas planejadas para a madrugada e um contêiner secreto mantido em um galpão na Capital.

De acordo com o inquérito da Polícia Civil, a segurança da informação era prioridade para os líderes do esquema. Adryelle se identificava formalmente como vendedora, e Thiago como trabalhador autônomo. Para o esquema, ambos utilizavam linhas telefônicas em nome de terceiros e assinavam as mensagens como “Maria” e “Ricardo”.

A investigação detalha que Adryelle era a peça-chave na contratação de motoristas. Ela articulava a captação de condutores para buscar produtos de origem paraguaia (descaminho) e entorpecentes na fronteira e trazê-los até Campo Grande. Para evitar barreiras policiais e postos fiscais, os carregamentos eram programados para o período noturno.

Assim que chegavam à Capital, as cargas tinham como destino um galpão localizado na Avenida Amaro Castro Lima, que funcionava como centro de distribuição do grupo. No local, as mercadorias eram fracionadas e camufladas dentro de um contêiner. Para garantir a segurança do material, o casal contratou João Vitor Aguiar de Souza, 21 anos, cuja única função era morar no galpão e fazer a vigilância permanente do contêiner.

Após o armazenamento em Campo Grande, o casal providenciava novos motoristas para levar os produtos até o destino final, no estado de São Paulo. Durante a ação da Denar, fardos de mercadorias paraguaias também foram encontrados em outra residência ligada ao pai de Adryelle, no Residencial Oliveira.

Ainda segundo a investigação, empresas de fachada ligadas ao setor de transporte rodoviário de cargas faziam toda a movimentação financeira do grupo. O cruzamento de dados bancários e de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou um fluxo de dinheiro intenso. Em apenas cinco meses, Adryelle movimentou mais de R$ 2,2 milhões, enquanto Thiago registrou mais de R$ 1,1 milhão em suas contas, valores incompatíveis com a realidade declarada pelo casal.

Conforme apurou o Campo Grande News, a casa onde a Porsche estava, na Rua do Peixe, Jardim Nhanhá, foi colocada a leilão por R$ 149 mil em março deste ano. O terreno tem 360 metros quadrados e 87 metros quadrados de área construída. Uma vizinha do local contou que via o veículo todos os dias e estranhou na primeira vez. “É um carrão, mas está há muito tempo aí. Ontem a polícia chegou cedo. Eu só via essa mulher aí”, disse a diarista, que preferiu não se identificar.

A equipe de reportagem esteve no local na manhã desta sexta-feira (19) e encontrou o imóvel com o portão amassado, mas sem nenhum morador. O advogado Matheus Brito Ibrahim, que atua na defesa dos três presos, informou que ainda não teve acesso total aos autos do caso.

Início da investigação

O casal começou a ser investigado após a apreensão de 4,2 toneladas de maconha e 37,2 quilos de pasta-base de cocaína, em julho de 2025, pelo Genarc (Grupo de Repressão a Narcóticos) de Jataí (GO). O entorpecente estava em um caminhão conduzido por Noel de Paula Júnior e a carga foi avaliada em R$ 10 milhões.

Com a quebra do sigilo telefônico do caminhoneiro autorizada pela Justiça, os policiais goianos encontraram conversas com “Maria” e “Ricardo” detalhando o passo a passo daquela viagem. A partir do rastreio de IPs e transações via Pix, a polícia chegou aos endereços do casal na Capital.

Na última terça-feira, a Denar deu cumprimento aos mandados emitidos pelo Judiciário de Goiás. A ação resultou na prisão em flagrante do casal e do jovem que guardava o contêiner, pondo fim à rota milionária.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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