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Feminicídio: metade das mortes ocorre em casa à noite

Feminicídio: metade das mortes ocorre em casa à noite

Dados do Mapa do Feminicídio 2026, divulgados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), mostram que metade dos assassinatos de mulheres no estado ocorreu dentro da casa onde a vítima vivia com o companheiro e durante a noite. O levantamento abrange crimes registrados de janeiro a maio deste ano.

Os números indicam um aumento de 23% nos casos de feminicídio, consumados e tentados, em comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com o MPMS, 65,5% das mulheres foram mortas pelos próprios companheiros ou cônjuges, e 15,3% tiveram como autores ex-companheiros ou ex-maridos. Ao todo, 12 mulheres foram vítimas do crime no estado até maio, com idades entre 18 e 74 anos.

O levantamento aponta que a residência compartilhada pelo casal foi o local de 50% dos assassinatos. As vias públicas responderam por 16,7% dos casos. Metade dos feminicídios aconteceu à noite, 33,3% à tarde e 16,7% pela manhã. Facas e outros objetos cortantes foram usados em 47% dos registros analisados. Atropelamento, armas de fogo e asfixia aparecem na sequência.

Histórias e perfil das vítimas

Entre as vítimas deste ano, três mulheres foram mortas dentro de casa. Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, foi atacada na residência da família em Ponta Porã. O marido, subtenente do Corpo de Bombeiros, é apontado como autor. Ela morreu após ser agredida com uma marreta. Vera Lucia da Silva, de 41 anos, foi assassinada no quintal de casa em Eldorado, diante da filha de 9 anos. O ex-companheiro teria atirado contra ela. Dias depois, o corpo de Vera foi violado no cemitério. Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi morta no apartamento que havia alugado em Três Lagoas. O namorado confessou o crime.

Mais de 80% das vítimas não possuíam medida protetiva de urgência em vigor quando foram assassinadas. O MPMS lançou a campanha “Você Merece um Amor Leve” para alertar sobre sinais de relacionamentos abusivos, como controle excessivo, ameaças e isolamento social. Em emergências, mulheres podem ligar para a Polícia Militar pelo 190 ou para a Central 180, que funciona 24 horas com ligação gratuita e anônima.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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