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Frigoríficos de MS: exportações crescem 1.157% e empregos dobram

Frigoríficos de MS: exportações crescem 1.157% e empregos dobram

A indústria frigorífica de Mato Grosso do Sul vive um novo ciclo de expansão. O segmento registrou recorde histórico de produção de carne bovina em 2025, com mais de 1,06 milhão de toneladas produzidas. A receita das exportações de carnes bovina, suína e de frango saltou de US$ 196,1 milhões em 2006 para US$ 2,47 bilhões em 2025, um crescimento de 1.157%. No mesmo período, o número de trabalhadores formais passou de 20.651 para 40.656, praticamente dobrando. O setor segue como o maior empregador entre os principais segmentos industriais do Estado.

O empresário Regis Comarella, sócio da Boibras, afirma que o crescimento veio do aumento da produtividade e da expansão das plantas já existentes. Segundo ele, Iguatemi, Naturafrig, Minerva e JBS estão entre as empresas que puxaram esse avanço. Apesar do bom momento, o setor enfrenta dificuldades para contratar trabalhadores e não há previsão de abertura de novas unidades ou ampliação das atuais.

O economista-chefe da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), Ezequiel Resende, diz que a evolução não ocorreu pela instalação de novas unidades industriais, mas pelo ganho de escala e produtividade das operações existentes. “Mato Grosso do Sul ampliou sua presença nos mercados internacionais e alcançou novos consumidores”, afirma.

De acordo com Comarella, cerca de 65% da carne produzida fica no mercado interno. A China é o principal destino da proteína exportada pelo Estado. O avanço das vendas externas costuma valorizar a arroba do boi, com reflexos para os pecuaristas.

O desempenho ocorreu em um período de transformação do uso do solo. Parte das áreas de pastagem foi destinada ao cultivo de florestas plantadas, cana-de-açúcar e agricultura, sem comprometer a produção de carne. “O Estado reconverteu áreas, mas não perdeu participação na produção de proteína animal. Isso mostra ganhos de produtividade e eficiência”, explica Resende.

Comarella avalia que a redução das áreas de pastagem pode limitar o crescimento do setor nos próximos anos. Os principais riscos atuais são a disponibilidade de bois para abate e a necessidade de capital de giro. Mato Grosso do Sul responde por cerca de 10% da produção brasileira de carne bovina e está entre os maiores produtores do País.

Para a Fiems, a trajetória do setor representa uma mudança estrutural na economia sul-mato-grossense. O Estado amplia sua capacidade de industrialização, agrega valor à pecuária e fortalece sua posição no mercado global de alimentos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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