Uma reunião realizada em Sidrolândia na última terça-feira (16) resultou em um acordo para que cerca de 300 indígenas terena não avancem sobre duas fazendas na região. O encontro contou com representantes do departamento de mediação de conflitos do MPI (Ministério dos Povos Indígenas) e da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas).
Durante a reunião, foi prometido o envio de um efetivo da Força Nacional para a área. Até a manhã desta quarta-feira (17), no entanto, a Funai informou que ainda não houve retorno sobre o deslocamento da força. Também ficou acertado que um documento será protocolado ainda nesta tarde no STF (Supremo Tribunal Federal) por um advogado que representa os indígenas.
A proposta a ser levada à Corte prevê a desapropriação das fazendas São Sebastião e Água Clara, com indenização aos atuais proprietários usando verbas federais. Segundo um laudo antropológico que integra o processo de demarcação, a área foi ocupada por antepassados dos indígenas, que foram retirados à força do local. O pedido de reconhecimento do território tradicional tramita na Justiça há mais de 10 anos.
A ideia é negociar o pagamento aos fazendeiros nos mesmos moldes do que foi feito na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, localizada em Antônio João. Os indígenas não definiram um prazo para resposta ao documento, mas afirmaram que vão permanecer na divisa entre a fazenda São Sebastião e a área de retomada da Terra Indígena Buriti, onde estão desde 2013. Naquele ano, um conflito na região resultou na morte do indígena Oziel Gabriel, atingido por um tiro disparado por um policial federal.
O advogado do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Anderson Santos, esteve na reunião a pedido dos terena. Ele afirmou que o encontro ocorreu na área de retomada, que conta com casas e roças para plantio. Segundo Santos, não há nenhum agente da Força Nacional monitorando a região até o momento. No entanto, há cinco viaturas da Polícia Militar e seguranças privados contratados pelos fazendeiros no entorno.
“Os indígenas disseram que vão continuar mobilizados para retomar seu território. Tem segurança privada e um contingente da Polícia Militar no entorno. O MPI vai tentar mediar essa situação com a Força Nacional, mas até o momento não há nada concreto”, declarou o advogado.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa do MPI, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
