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Coração da bananeira vira caponata e surpreende pelo sabor

Coração da bananeira vira caponata e surpreende pelo sabor

O coração da bananeira, também conhecido como mangará ou umbigo da bananeira, é um alimento que quase sempre vai para o lixo depois da colheita do cacho de bananas. Para muita gente, a planta já cumpriu sua função nesse momento. Mas é justamente aí que surge um dos ingredientes mais versáteis da bananeira, capaz de render receitas como caponata, refogados, tortas e até hambúrgueres vegetais.

A agricultora urbana Márcia Chiad ensina o preparo no programa Trilha Orgânica. Antes de ir para a panela, a planta precisa de um processo simples para retirar parte do látex e reduzir o amargor natural. Depois disso, o coração da bananeira ganha sabor mais suave e pode ser usado em diversas receitas.

O preparo começa descascando o coração e retirando as flores que ficam entre as cascas. Em seguida, o mangará deve ser cortado em pequenos pedaços com uma faca boa. Os pedaços e as flores devem ficar de molho na água por um período que varia de 2 horas a 24 horas. Quanto mais tempo de molho, menos amargor terá a receita.

Depois do descanso, é preciso lavar as cascas e as flores e colocá-las em uma panela para ferver até ficarem mais maleáveis e sem gosto. O cozimento deve ser provado ao longo do processo. Quando estiver cozido, é hora de temperar com tomate, pimentão, alecrim, manjericão, sal e azeite de oliva para fazer a caponata, que pode ser servida com torradas ou pães.

A textura do mangará depois de preparado lembra carne desfiada, o que o torna uma alternativa para recheios, refogados, ensopados e pratos vegetarianos e veganos. O alimento é rico em fibras, antioxidantes, potássio e outros minerais importantes para o organismo. É muito consumido em países asiáticos e está presente na culinária de algumas regiões do Brasil.

Márcia Chiad explica que a bananeira é uma planta generosa, que fornece frutos, folhas, fibras e até o pseudocaule pode ter aproveitamentos diferentes. O coração da bananeira reforça essa vocação, lembrando que os alimentos mais surpreendentes estão naquilo que aprendemos a descartar por hábito. Aproveitar o mangará também é uma forma de reduzir o desperdício e colocar em prática o aproveitamento integral dos alimentos.

O consumo deve ser moderado. Por ser rico em fibras, o excesso pode causar desconfortos gastrointestinais, como gases, inchaço e diarreia, principalmente em quem não está acostumado a ingerir alimentos fibrosos. Pessoas com doença renal que precisam controlar a ingestão de potássio devem buscar orientação médica antes do consumo frequente. Quem tem alergia à banana ou ao látex natural deve ter cautela, já que pode haver reação cruzada em alguns casos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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