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Homem culpa cerveja por atropelar e matar esposa em frente aos filhos

Homem culpa cerveja por atropelar e matar esposa em frente aos filhos

O julgamento de Willames Monteiro dos Santos, de 36 anos, começou na manhã desta quarta-feira (5) no Tribunal do Júri de Campo Grande. Ele é acusado de feminicídio qualificado pela morte de sua esposa, Andressa Fernandes Teixeira, de 29 anos, atropelada duas vezes em frente aos filhos do casal, em abril de 2024.

Em seu interrogatório, que durou cerca de 55 minutos, Willames negou que tenha atropelado a esposa intencionalmente. Ele afirmou que o casal não discutiu antes do crime e que a morte foi consequência de um acidente após os dois consumirem bebida alcoólica. “O único vício que eu tinha era cerveja e, por causa dela, estou aqui preso e perdi minha esposa”, disse.

Segundo o réu, no dia do crime, o casal passou a tarde em casa assando carne e bebendo cerveja. Ele contou que comprou uma caixa com 15 latas e, depois, mais duas embalagens, mas não se lembrou da quantidade que ingeriu. “Nós estávamos felizes, cantando, fazendo planos. Ligamos para minha irmã, em São Paulo, dizendo que passaríamos o Natal lá. Não teve discussão”, declarou.

Willames afirmou que a única divergência ocorreu quando ele decidiu sair para comprar mais bebida. “Ela falou para eu não ir porque tinha uma viatura da polícia perto e não queria que eu fosse preso. Eu falei que ia, mas em nenhum momento fui para cima dela ou agredi ela.”

O acusado contou que colocou o filho caçula na cadeirinha do carro, ligou o veículo, fechou os vidros e acionou o ar-condicionado e o som antes de sair da garagem. Ele disse que acreditava que Andressa permanecia próxima ao portão e que só percebeu o atropelamento quando ouviu a filha gritar. “Dei ré e só escutei minha menina gritando que a mãe estava embaixo do carro. Desci, ela pegou na minha mão e eu falei: ‘me perdoa, eu não vi’. Pedi ajuda para tirar o carro de cima dela.”

Durante o depoimento, Willames insistiu que não teve intenção de matar a esposa. “Se eu tivesse matado ela com intenção, teria atropelado ela de frente. Se eu quisesse matar, eu teria fugido. Tive oportunidade e fiquei lá tentando socorrer.”

Questionado sobre o funcionamento do veículo, o réu apresentou uma versão diferente da prova pericial. Ele afirmou que a câmera de ré estava quebrada e que havia desligado o sensor de estacionamento porque o equipamento emitia sons enquanto dirigia. A declaração diverge do que foi apresentado pela perícia em audiência realizada em 2024, quando um perito criminal afirmou que o Volkswagen Polo possuía freios e câmera de ré em pleno funcionamento. O laudo também concluiu que o carro passou duas vezes sobre Andressa.

O réu voltou a afirmar que nunca agrediu a esposa e que a filha pode ter interpretado como discussão o momento em que Andressa insistiu para que ele não saísse de casa. “Para criança, basta você dar um grito que ela acha que é briga.”

Willames responde por feminicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, na noite de 20 de abril de 2024, Andressa tentou impedir que o marido deixasse a residência dirigindo após consumir bebida alcoólica e permaneceu em frente ao portão da casa, no Bairro Nova Campo Grande. Em seguida, foi atropelada duas vezes pelo veículo conduzido por ele.

Antes do interrogatório, familiares dos dois lados falaram com a reportagem. A mãe de Andressa, Rosângela Fernandes, afirmou esperar a condenação do acusado e disse que hoje é responsável pela criação dos dois netos do casal, que presenciaram o atropelamento. Já o irmão de Willames, Sandro Monteiro, declarou acreditar na inocência do réu e classificou a morte como uma fatalidade.

A filha mais velha do casal, hoje com 14 anos, prestou depoimento em sessão reservada, sem a presença do público, dos familiares e do próprio pai. Após o interrogatório, acusação e defesa iniciaram os debates perante o Conselho de Sentença. As sete juradas responderão aos quesitos formulados pelo magistrado para decidir se o acusado será condenado ou absolvido. A expectativa é de que a sentença seja conhecida ainda nesta quarta-feira.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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