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Nível do Guaíba: cota de atenção, mas inundação não é descartada

O Guaíba, em Porto Alegre, registra nível normal nesta segunda-feira (27). No entanto, os próximos dias podem apresentar mudanças. Um boletim hidrológico emitido no fim da manhã pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mostra a possibilidade de o Guaíba ultrapassar a cota de inundação a partir do dia 3 de agosto.

A possibilidade de inundação no centro de Porto Alegre aparece em apenas um dos quatro cenários meteorológicos considerados pelo boletim. Nos outros três, o Guaíba não chegaria à cota de alerta – ou seja, ficaria abaixo também da cota de inundação no centro da Capital.

O boletim destaca que os quatro cenários convergem quanto à possibilidade de chuvas persistentes, mas divergem em relação aos locais específicos em que as chuvas serão registradas. Essa mudança geográfica das chuvas pelo interior do Estado dirá se, dias depois, o Guaíba ficará mais ou menos elevado.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul reforça que não vê possibilidade de o Guaíba alcançar a cota de inundação. A informação foi trazida durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (27). A hidróloga Vanderleia Schmitz, da Defesa Civil, afirmou que os cenários de meteorologia disponíveis hoje não indicam cota de inundação para o Guaíba. No máximo, disse ela, a cota de atenção para o dia 31 ou dia 1º.

A entidade diz utilizar-se dos modelos meteorológicos globais mais adequados para previsão de eventos extremos: o europeu (ECMWF) e o americano (GFS). Segundo a Defesa Civil, ambos os modelos são atualizados com frequência e tendem a ser mais assertivos. O cenário apontado pelo SGB e pelo IPH, por sua vez, é previsto por outro modelo de previsão: o ETA.

O meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explicou que o modelo mais pessimista para o Guaíba depende de as chuvas se concentrarem, nos próximos dias, mais ao norte do Estado. Ele afirmou que, se a previsão de chuva estacionária ficar de 100 a 150 quilômetros ao Norte, todas as bacias contribuintes do Guaíba receberão o acumulado de chuva, o que impactaria o nível do lago dias depois.

Divergências de cenários

Rodrigo Paiva, professor de hidrologia da UFRGS, reforça que há incerteza neste momento sobre a localização e o volume das chuvas, o que sustenta as divergências de cenários para os próximos dias. Ele destacou que ainda é cedo e que será necessário acompanhar e atualizar as previsões em função das chuvas que forem ocorrendo.

Durante a coletiva desta segunda-feira, o governador Eduardo Leite ressaltou a necessidade de monitoramento contínuo. Segundo ele, o que se sabe, no momento, é que um volume expressivo de chuva irá cair no Estado nos próximos dias, mas o local e o espaço de tempo dessa precipitação é o que vai fazer diferença nos cenários possíveis.

A Defesa Civil do Estado pontuou ainda que, mesmo que concordem, os modelos da Defesa Civil e do SGB são diferentes, então um não se baseia no outro. A entidade reforçou que vê o SGB e o IPH como instituições importantes, que contribuem de forma relevante para o cenário hidrológico do Estado.

Entre esta segunda-feira e domingo (2), os acumulados podem ultrapassar 200 mm em diversas regiões. O volume já pressiona mananciais gaúchos e coloca pelo menos sete rios em alerta de inundação: Ibicuí, Ibirapuitã, Santa Maria, Quaraí, Jacuí, Caí e Sinos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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