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Fim de programa noturno pode isolar saúde no interior de MS

Fim de programa noturno pode isolar saúde no interior de MS

O programa Horário Estendido, da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), será encerrado na próxima quarta-feira (1º), data em que completará um ano de funcionamento. A iniciativa previa o repasse de R$ 20 mil mensais às prefeituras para manter postos de saúde abertos até as 21h.

Ao todo, 46 unidades participam do programa, com um gasto mensal de R$ 920 mil e custo anual estimado em R$ 11 milhões. Desse total, quatro unidades estão na Capital e as demais no interior do estado.

Nesta quarta-feira (24), o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) se manifestou a favor da continuidade do programa. A entidade alertou que o fim da medida pode prejudicar especialmente os municípios menos populosos, que contam com apenas uma unidade de saúde pública.

O presidente do Cosems e secretário municipal de Saúde de Iguatemi, Janssen Portela Galhardo, avaliou que os moradores de cidades com menos de 20 mil habitantes serão os mais afetados. Esses municípios, segundo ele, costumam ter trabalhadores concentrados na área rural.

“É um programa excelente, permite um olhar diferenciado ao trabalhador, principalmente o que trabalha o dia todo no campo. Ele serve ao foco da Saúde no interior, que é a prevenção na Atenção Primária à Saúde”, afirmou à reportagem.

Em alguns casos, a Unidade de Saúde da Família (USF) é o único serviço de saúde pública disponível nos municípios e, até então, ficava aberta à noite. Com o fim do programa, o acesso a profissionais de saúde no período noturno poderá ficar restrito a cidades vizinhas. “Aí o morador vai precisar ir até o município de referência da região onde ele vive”, completou o secretário.

Em estudo

Janssen informou que o Cosems pediu formalmente à SES a prorrogação do programa, mas a resposta foi negativa. “Por conta do período eleitoral e da necessidade de contenção de gastos do Estado”, explicou.

O Campo Grande News questionou o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, sobre a manutenção da decisão. O chefe da pasta afirmou que a continuidade dos repasses ainda está sendo avaliada. “Ainda não temos definição qual conduta adotaremos. Estamos estudando os impactos para a tomada de decisão”, respondeu.

Questionado sobre a possibilidade de as prefeituras custearem os gastos com o horário ampliado, que somam R$ 20 mil mensais, o presidente do Cosems disse que isso não seria viável. “Os municípios estão assoberbados, já assumem cerca de 70% dos custos da Atenção Primária à Saúde”, finalizou.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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